SNK Heroines: Tag Team Frenzy — Review

Após meses de polêmicas e muito glitter para todo lado, SNK Heroines: Tag Team Frenzy faz a sua estreia. O novo game de luta da SNK chega com controles simplificados, uma história sem pé nem cabeça e altas doses de fanservice, e embora divertido e diferente ele possui problemas difíceis de serem ignorados.

Confira nossa análise e tente não passar mal com tanto açúcar.

Divertido, mas raso

A trama do game é mais maluca do que o normal vista em jogos de luta: após o fim do torneio em The King of Fighters XIV, o vilão Kukri (que não era vilão, mas enfim…) aprisiona boa parte das lutadoras que disputaram o campeonato em uma dimensão de bolso que ele criou, uma espécie de “casa de bonecas” em que as heroínas são forçadas a usar roupas de acordo com seus fetiches, e claro caírem na porrada entre si se quiserem sair dessa.

Quem se deu mal mesmo nessa foi Terry Bogard, que como forma de demonstrar seu poder Kukri também o capturou e o transformou numa mulher, o que de cara já avisa: não leve este game a sério.

O roteiro segue o clichê básico de jogos similares e é um sucessor espiritual de SNK Gals’ Fighters, game lançado em 2000 para o Neo Geo Pocket Color e o primeiro da desenvolvedora a contar com um elenco só de lutadoras, vindas de vários de seus títulos. Aqui, embora todas estivessem presentes no último grande título da SNK temos personagens vindos de títulos mais antigos e variados, como Fatal Fury, Art of Fighting, Samurai ShowdownAthenaPsycho Soldier e até de máquinas de pachinko, como Mui Mui e Love Heart (de Dragon Gal e Sky Love, respectivamente).

A mecânica é simples, as lutas são arranjadas em um modo de duplas com trocas livres entre personagens. Você possui dois botões de ataque, fracos e fortes e um de golpes especiais, que variam conforme a posição no direcional ou se executados no ar. Não há golpes de comando, a chave para a vitória reside em elaborar combos rápidos e finaliza-los com especiais.

Cada dupla compartilha a mesma barra de energia, mas as lutadoras possuem medidores de especiais próprios. Usar golpes especiais consome a barra e é preciso espera-la recarregar, ou trocar de lutador (a barra do personagem na reserva enche mais rápido).

A veia cômica do game se manifesta nas lutas através dos itens, que ativam efeitos especiais (há desde frascos de veneno, bacias que caem na cabeça, cascas de banana e até uma aparição de Goro Daimon, que tonteia quem estiver no chão) e dos golpes; qualquer soco, chute, queda ou golpe especial é uma deixa para doces, frutas, bichinhos, corações, estrelas e outros itens fofos saírem voando a torto e direito.

Para vencer uma luta, o jogador precisa drenar a energia da dupla adversária até ela ficar vermelha, para só então utilizar um Dream Finish, como aqui são chamadas as super técnicas especiais. Não é possível vencer os oponentes zerando a barra, o máximo que conseguirá fazer é tontear o adversário e abrir uma deixa para a finalização.

Conforme o jogador progride nos modos História, Versus e Survival ele ganha dinheiro, que é utilizado para comprar uma série de itens como roupas, vozes, planos de fundo, finais, músicas, vídeos e claro, toneladas de itens para customização das lutadoras. Você pode trocar as cores das roupas entre as três disponíveis para cada personagem e acrescentar maquiagem, tiaras, asas, luvas, braceletes, lentes de contato e etc., além de mudar o layout de vozes e muito mais.

O tema “casa de bonecas” está por todo lado, mas no fim SNK Heroines: Tag Team Frenzy ainda é um game de luta; sua jogabilidade é de fato bastante simples, o que pode servir para chamar a atenção de quem não possui familiaridade com o gênero e gostaria de experimenta-lo sem apanhar muito; assim, o título pode servir como uma porta de entrada para muita gente.

Tecnicamente o game possui gráficos inferiores aos vistos em The King of Fighters XIV, o que é estranho: a SNK poderia aproveitar os mesmos modelos 3D utilizados em seu título principal, mas preferiu recria-los de modo a dar uma aparência mais fofa ao seu rol de lutadoras. É uma escolha compreensível, mas faltou capricho.

Já o som é decente, com vozes em japonês (com exceção do narrador) e músicas com arranjos cômicos, próximas de canções pop-chiclete dos grupos de idols que fazem sucesso no Japão. Há desde composições originais aos temas clássicos das lutadoras, como as excelentes Psycho Soldier (Athena Asamiya) e Diet (Yuri Sakazaki), com novas roupagens.

Blablablá fanservice blablablá…

Sexualização de personagens femininas em games de luta não é novidade alguma, a própria Mai Shiranui desce a porrada usando trajes mínimos desde sua estreia em Fatal Fury 2, em 1992. Aqui o fanservice é de mão pesada, com closes generosos nas personagens durante o modo História, câmeras escondidas e etc. As personalidades também foram levemente alteradas, para deixar as lutadoras mais fofas e não destoarem muito da temática.

Ironicamente, o que mais mudou nesse sentido foi justamente o chefe Kukri: ele não era um vilão propriamente dito em The King of Fighters XIV e nem dava indícios de seus gostos… peculiares. A SNK mudou completamente o arenoso combatente e o transformou num tarado e vouyeur, de modo a criar o conflito necessário.

E claro, para providenciar o alívio cômico da trama.

No entanto o game é uma galhofa completa, ele ri de si mesmo o tempo todo e tira onda de tudo e de todos, até do jogador. Ele diz a todo mundo que é uma comédia, uma farsa e não é mais profundo que um pires em termos de narrativa, todos os elementos foram incluídos em prol de uma piada.

Ainda que haja bastante conteúdo questionável, ele por si só não incomoda e nem atrapalha a diversão do jogador. As opções de customização, através dos inúmeros itens disponíveis no modo de personalização oferecem meios para o jogador alterar sua lutadora favorita de vários modos, e a criatividade rola solta.

Por fim há um modo de captura, onde você pode personalizar um fundo e colocar sua “waifu” para fazer poses enquanto tira capturas da tela. O modo também permite criar um avatar personalizado, para usar em seu perfil online.

O grande problema de SNK Heroines: Tag Team Frenzy não está na presença do fanservice, mas na decisão da SNK de focar nele e não em conteúdo real para um jogo de luta. A desenvolvedora quer vender a piada pela piada, e a falta de opções de jogo se faz sentir.

Ele possui apenas os modos História (que não deixa de ser um modo Arcade), Survival e Tutorial, este bastante simples; ele ensina o básico do básico e nem permite escolher personagens. Por outro lado o modo Online permite lutas de até quatro jogadores conectados, o que é um ponto positivo.

Conclusão

SNK Heroines: Tag Team Frenzy não é um título para quem leva os games a sério demais: ele ri de si mesmo o tempo todo, expondo as lutadoras a situações ridículas e nada é mais escancarado em termos de galhofa do que trazer Terry Bogard, o primeiro herói da SNK ostentando um par de seios enormes.

Ainda que a desenvolvedora tenha pesado a mão no fanservice, com direito a personalidades levemente alteradas a diversão não chega a ser comprometida, desde que você entenda que o game é uma piada. Do início ao fim.

Terry Bogard, quem diria…

No entanto SNK Heroines: Tag Team Frenzy tenta se vender pelo fanservice, e isso é um erro: o game é simples demais para jogadores intermediários ou veteranos de jogos de luta, o modo História não chega a ser um desafio e há poucas opções de conteúdo, enquanto há toneladas de opções de itens cosméticos, panos de fundo, vozes e outros geri-geris para personalizar sua lutadora favorita. A versão inicial de Street Fighter V carecia de modos de jogo, mas este ganha de longe.

Na minha opinião, SNK Heroines: Tag Team Frenzy é uma boa pedida para jogadores iniciantes que não estão familiarizados com as mecânicas dos games de luta modernos, servindo como um aquecimento limitado já que ele não possui golpes de comando. Para todos os demais, vale pela curiosidade e nada além disso.

Nota:

Três de cinco Terry Bogards depois da cirurgia.

Ficha Técnica

  • Título — SNK Heroines: Tag Team Frenzy;
  • Plataformas —PS4 e Nintendo Switch;
  • Desenvolvedora — SNK;
  • Distribuidora — NIS America;
  • Preço — R$ 191,90 para PS4 e US$ 49,99 para Nintendo Switch;
  • Pontos Fortes — mecânica simples, porém diferente; modo online permite até quatro jogadores simultâneos; o game não se leva a sério em nenhum momento;
  • Pontos Fracos — excesso de simplicidade vai afugentar os veteranos em jogos de luta; gráficos inferiores aos vistos em The King of Fighters XIV; podia ter mais conteúdo.

Meio Bit analisou SNK Heroines: Tag Team Frenzy no PS4 Pro com uma cópia digital cedida pela NIS America.

Relacionados: , , , ,

Fonte

Deixe uma resposta